O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não comparecer à cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, agendada para esta quarta-feira, 11 de outubro. A mudança de planos ocorreu um dia após a confirmação de presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no evento.
A notícia foi divulgada primeiro pelo G1 e corroborada pela Folha através de fontes próximas ao presidente. Até a publicação desta matéria, a atual agenda de Lula ainda não havia sido disponibilizada.
O governo brasileiro não forneceu justificativas para essa alteração, permanecendo em silêncio oficial sobre o assunto. Na manhã de terça-feira, Lula teve uma reunião previamente agendada com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A expectativa era que o presidente brasileiro viajasse para o Chile no final da tarde de terça-feira, 10 de outubro, a fim de participar da posse e de outros compromissos oficiais na quarta-feira.
A presença de Lula no Chile seria um indicativo de que as relações com o novo líder da direita chilena poderia ser pragmática, especialmente considerando os atritos ocorridos com Javier Milei, da Argentina, evento do qual Lula não participou em dezembro de 2023.
Kast é considerado o político mais conservador a assumir a presidência do Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Sua posse marca o fim de um mandato de quatro anos de Gabriel Boric, que era aliado de Lula na região.
Além dos laços diplomáticos, Brasil e Chile compartilham interesses mútuos, como o turismo entre os países e a rota bioceânica. Kast já havia solicitado a presença de Lula em encontros anteriores, incluindo um recente realizado em Panamá no final de janeiro de 2023.
Conforme relatou a Folha, Lula saiu satisfeito da reunião no Panamá, onde ambos os líderes reconheceram suas diferenças ideológicas, mas destacaram a importância de um relacionamento bilateral focado no pragmatismo.
Essa não é a primeira vez que Lula desiste de comparecer a cerimônias de líderes de direita na América Latina. Ele não esteve presente na posse de Rodrigo Paz na Bolívia, que marcou o fim do governo de esquerda no país, sendo representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em contrapartida, Lula participou da posse de Santiago Peña, presidente de direita do Paraguai.

