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Estudo revela que apneia do sono piora a redução muscular em indivíduos com DPOC.

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A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se manifesta por dificuldades respiratórias e limitações em atividades cotidianas. Por sua vez, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos) é frequentemente associada a roncos fortes e à sonolência durante o dia. A combinação dessas duas patologias acarreta um efeito ainda mais severo na força e na qualidade muscular dos pacientes, de acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports.

Audrey Borghi Silva, coordenadora do Laboratório de Fisioterapia Cardiopulmonar da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e autora da pesquisa, destaca que a DPOC, embora frequentemente associada à função pulmonar, possui impactos sistêmicos significativos. A presença simultânea da Saos intensifica danos musculares, resultando em perda de força e em desfechos clínicos mais severos, como hospitalizações e maior risco de mortalidade, quando comparados a pacientes acometidos apenas pela DPOC. Portanto, é crucial avaliar a qualidade do sono em todos os indivíduos diagnosticados com DPOC.

No levantamento, foram analisados 44 pacientes, sendo 22 com DPOC e Saos e 22 só com DPOC. Os dados revelaram diferenças significativas no desempenho funcional entre os grupos.

A força de preensão palmar, um indicador da condição muscular, foi significativamente menor entre os pacientes com ambas as doenças (26 kgf) em comparação com os que apresentavam apenas DPOC (30 kgf). De forma semelhante, na avaliação de caminhada de seis minutos — utilizada para mensurar a capacidade funcional —, os indivíduos com ambas as condições andaram, em média, 300 metros, enquanto os com DPOC isolada percorreram 364 metros. Importante ressaltar que resultados abaixo de 350 metros nesse teste estão vinculados a um aumento no risco de internações e mortalidade, evidenciando o impacto negativo da coexistência das duas patologias.

O grau da apneia do sono é normalmente avaliado pelo Índice de Apneia-Hipopneia (IAH), que contabiliza o número de paradas respiratórias por hora. No entanto, a pesquisa identificou que o fator que mais se correlacionou com a perda da qualidade muscular não foi o IAH, mas sim o Índice de Dessaturação de Oxigênio (IDO), que avalia a frequência das quedas nos níveis de oxigênio no sangue durante o sono.

Patrícia Faria Camargo, principal pesquisadora do estudo e doutoranda, explica que os resultados sugerem que a intensidade da dessaturação noturna de oxigênio está mais direta e fortemente relacionada à qualidade muscular e ao desempenho funcional do que a frequência dos eventos respiratórios. Isso indica que a hipóxia noturna intermitente, ao afetar a oxigenação dos tecidos, pode ser um mecanismo fisiopatológico central para a perda de massa e função muscular em pacientes que apresentam DPOC e Saos, possivelmente por meio de estresse oxidativo, inflamação sistêmica e disfunção metabólica muscular.

O papel da inflamação sistêmica

Camargo ressalta que tanto a DPOC quanto a apneia do sono estão ligadas à inflamação sistêmica e ao aumento do estresse oxidativo. Quando ocorrem juntas, podem potencializar os danos às mitocôndrias, principais responsáveis pela geração de energia celular, prejudicando a contração e regeneração muscular. Essa combinação pode levar a um ciclo de fraqueza progressiva e limitações funcionais que requerem monitoramento contínuo.

O estudo enfatiza a importância do monitoramento de pacientes que apresentam as duas condições. “Os achados destacam a necessidade de se realizar o rastreamento de distúrbios respiratórios do sono na população com DPOC, influenciando diretamente políticas de saúde pública e diretrizes clínicas, além de programas de reabilitação, evidenciando a relevância do sono para a qualidade de vida”, afirma.

Embora a DPOC não possa ser revertida, Camargo indica que sua gestão é viável por meio de medicamentos, abandono do tabagismo e mudanças de estilo de vida, como a prática regular de exercícios e uma dieta equilibrada, ajudando a preservar a massa muscular e a função cardiorrespiratória. Em relação à Saos, o uso de dispositivos como CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) ajuda a manter as vias aéreas desobstruídas, enquanto a atividade física e uma alimentação adequada colaboram na redução do tecido adiposo nas áreas críticas das vias aéreas.

Medidas de comportamento, como a evitação de álcool e sedativos antes de dormir, bem como a manutenção de uma higiene do sono adequada, também são recomendadas para promover um equilíbrio respiratório durante a noite.

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