O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral, preste depoimento. Essa decisão criou divisões dentro do Sindifisco, que representa a classe dos auditores-fiscais.
Após a negativa da instância nacional em aprovar uma manifestação de apoio a Cabral em assembleia, 45 delegacias sindicais vinculadas ao Sindifisco lançaram um manifesto independente nesta segunda-feira (9). No documento, os líderes e delegados expressam suas preocupações com a “liberdade de expressão e a segurança jurídica” dos auditores-fiscais, relembrando um incidente de 2019, que também esteve ligado à investigação das fake news. Na ocasião, funcionários foram afastados após uma auditoria que atingiu parentes de autoridades.
Em 20 de fevereiro, a diretoria de São Paulo, à qual Cabral pertence, já havia se manifestado em apoio ao presidente, reconhecendo seu comprometimento na defesa das prerrogativas dos auditores-fiscais.
Segundo a assessoria de imprensa do Sindifisco Nacional, a proposta de apoio foi rejeitada sob a justificativa de que a entidade não teve acesso ao conteúdo do inquérito. Também foi destacado que a questão já teria perdido relevância na opinião pública. Ademais, a entidade mencionou uma nota anterior que abordou o assunto de maneira geral.
Kleber Cabral não esteve envolvido em ações relacionadas ao acesso a dados de ministros e seus familiares. A intimação surgiu após críticas feitas pelo presidente da Unafisco às decisões de Moraes em entrevistas, como em uma dada à GloboNews, onde afirmou que fiscalizar autoridades se tornara mais arriscado do que investigar organizações criminosa.

