A Europa se prepara para um potencial aumento da imigração originada do Oriente Médio, em decorrência do agravamento da situação conflituosa na região. Essa preocupação surge à medida que os países buscam evitar uma nova onda de refugiados no continente, conforme afirmações de Amy Pope, diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), em entrevista ao Financial Times.
Pope mencionou que a continuidade das hostilidades pode resultar em um deslocamento ainda maior de pessoas. "Vivemos em uma área já marcada por instabilidade. Com a guerra em curso e a probabilidade de sua prolongação, começaremos a observar novos deslocamentos", declarou.
Em 2015 e 2016, a Europa enfrentou um aumento significativo de imigração, quando mais de um milhão de refugiados oriundos da Síria e do Afeganistão cruzaram suas fronteiras, principalmente através da Turquia. Além disso, desde o início da invasão russa na Ucrânia em 2022, mais de 4 milhões de ucranianos buscaram abrigo no bloco.
Pope ressaltou que atualmente os governos da União Europeia estão adotando uma abordagem proativa para lidar com a questão, evitando esperar que a situação piore, especialmente em resposta ao crescente sentimento anti-imigrante em várias nações.
Países europeus, como Chipre, que se encontra próximo ao Líbano, já discutem estratégias para se prepararem para um possível aumento no número de refugiados. Chipre, que já foi alvo de drones iranianos, está em estado de alerta quanto a essa situação.
Nicholas Ioannides, vice-ministro da Migração de Chipre, afirmou que, apesar dos atuais fluxos migratórios na região, o país se prepara para qualquer eventualidade. "A infraestrutura, os procedimentos e as legislações da UE foram aprimorados para gerenciar esse tipo de crise", comentou.
Após a crise síria, os países europeus analisam as lições aprendidas sobre gerenciamento de recursos limitados e incertezas. Um modelo a ser considerado é o acordo de 2016 entre a UE e a Turquia, que ofereceu apoio financeiro à Ancara em troca da recepção de refugiados sírios. "Apoiar na recepção de comunidades deslocadas é uma maneira de compartilhar responsabilidades e fomentar a solidariedade", explicou Pope.
Recentemente, testemunhas relataram que algumas centenas de iranianos cruzaram a fronteira para a Turquia. Pope observou que, por ora, os deslocamentos estão ocorrendo principalmente dentro dos países, como no Irã e no Líbano, este último evidenciado pela significativa presença de refugiados sírios.
A OIM informou que aproximadamente 83 mil pessoas foram deslocadas no Líbano nos últimos dias, além das 60 mil já deslocadas desde o ano anterior devido a ataques israelenses. Após disparos de foguetes pelo Hezbollah, Israel intensificou seus ataques ao Líbano.
Pope também comentou sobre a repatriação gradual de migrantes de outros países, como o Afeganistão, mesmo em meio a condições instáveis. "Acreditamos que este cenário deve se intensificar, incluindo deslocamentos para o Iraque e regiões adjacentes", afirmou.
Ela enfatizou a importância de permitir que os refugiados tenham a liberdade de sair de suas nações. "Uma preocupação atual é que algumas fronteiras estão sendo fechadas para iranians fugindo do conflito, o que representa um grave risco à vida", completou. Pope ainda destacou a situação vulnerável dos trabalhadores estrangeiros que compõem uma parte significativa da população nos países do Golfo Pérsico e que, frequentemente, não recebem a mesma atenção e apoio destinados aos cidadãos locais.

