Putin busca lucro em meio ao conflito no Oriente Médio e manifesta desconfiança sobre Trump
O presidente Vladimir Putin está tentando tirar proveito da instabilidade gerada pela guerra iniciada por Donald Trump contra o Irã. No entanto, ele tem importantes reservas sobre as intenções do presidente americano em relação à Rússia após o início desse novo desafio militar.
Essa análise foi compartilhada com a Folha por fontes ligadas ao Kremlin. Na última segunda-feira (9), Putin e Trump mantiveram uma conversa telefônica de uma hora, da qual surgiram informações favoráveis ao líder russo.
Conforme declarado por Trump, os Estados Unidos planejam reduzir algumas sanções que dificultam a exportação de petróleo russo, visando assegurar o fornecimento deste produto no mercado global, especialmente com a volatilidade dos preços desencadeada pela guerra no Oriente Médio.
Trump também apontou para os riscos de desabastecimento, especialmente se o estreito de Hormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás, for fechado. Atualmente, a circulação de navios já está comprometida devido aos conflitos e às ameaças de Teerã.
Na semana anterior, os EUA haviam flexibilizado, por um período de 30 dias, as restrições à compra de petróleo russo pela Índia, o que foi celebrado por Putin.
Antes da conversa com Trump, Putin expressou sua disposição de dialogar com a Europa, que anteriormente importava mais de 20% do petróleo de Moscou, uma porcentagem que agora caiu para 6%. O chefe do Conselho Europeu, António Costa, declarou, na terça-feira (10), que a Rússia está se beneficiando economicamente da guerra, obtendo recursos para sustentar seu esforço bélico.
Putin enxerga a nova guerra como uma chance de se livrar permanentemente das sanções impostas devido ao seu conflito com a Ucrânia, que completou quatro anos há duas semanas. Durante a conversa com Trump, foram abordadas possíveis soluções para a situação no Oriente Médio, que poderiam trazer benefícios para Moscou em sua negociação estagnada com Kiev.
As tratativas relacionadas à guerra na Ucrânia se encontram paralisadas, e, segundo Putin, os EUA agora enfrentam novas prioridades. É notável que os ataques militares na Ucrânia diminuíram, com o presidente Volodimir Zelenski apontando preparativos para uma iminente ofensiva russa.
Realmente, planos de ataque estão em andamento, segundo uma das fontes consultadas, o que é considerado uma medida de precaução no Kremlin diante das novas ameaças trazidas pelo ataque ao Irã.
Assim, a estratégia russa busca conquistar mais vantagens territoriais enquanto o foco americano se desvia temporariamente para a crise no Oriente Médio. Moscou teme que Trump endureça sua postura nas negociações sobre a Ucrânia.
As análises em Moscou refletem um certo alarme, uma vez que Putin percebeu Trump neutralizar aliados da Rússia em um curto espaço de tempo. A falta de um consenso dentro dos Brics, que inclui o Irã, é vista como preocupante.
Atualmente, a Rússia sente-se impotente, limitando-se a manifestações de apoio e a atuar como mediadora em negociações que ainda são hipotéticas. Os comentaristas de linha dura na TV estatal russa reanimaram críticas à "prepotência imperialista", focadas principalmente no público interno.
Putin, segundo observadores, está receoso com a eficácia de Trump e teme ser o próximo alvo. Essa inquietação, que se reflete na paranoia da elite russa em relação a um cerco militar, pode intensificar a retórica nuclear de Putin, que recentemente afirmou que é impossível derrotar a Rússia estrategicamente, dado seu expressivo arsenal atômico.
A atenção do Kremlin se volta agora para os próximos movimentos na Ucrânia, enquanto Putin se prepara para intensificar sua própria ofensiva.

