Nas últimas décadas, as transformações no ambiente de trabalho, o aumento do tempo digital e a diminuição da atividade física têm impactado significativamente os padrões de movimento da população. Como resultado, houve uma queda acentuada nos níveis de atividade física entre os indivíduos.
No Brasil, essa realidade é alarmante. Estudos recentes mostram que aproximadamente 47% dos adultos são sedentários, e a situação entre os jovens é ainda mais preocupante, com cerca de 84% não atingindo os níveis recomendados de atividade física. Esses dados posicionam o Brasil entre os países mais sedentários da América Latina, o que é preocupante, visto que o corpo humano não foi criado para permanecer inativo por longos períodos.
Sedentarismo: um risco metabólico silencioso
A inatividade física afeta diretamente o metabolismo. O corpo que permanece sem movimento por muito tempo apresenta redução no gasto energético, dificuldades no controle glicêmico e maior tendência ao acúmulo de gordura. Além disso, o sedentarismo está ligado a importantes alterações metabólicas, como resistência à insulina e inflamação sistêmica de baixo grau, que contribuem para o surgimento de doenças cardiovasculares e metabólicas.
Pesquisas significativas demonstram que os indivíduos sedentários têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Os efeitos negativos também se estendem à saúde mental, pois a prática regular de atividade física está ligada à diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão, além de promover um ambiente propício a um sono de qualidade.
A importância do movimento em nosso dia a dia
Ainda existe a crença de que a atividade física serve apenas para controle de peso. Contudo, seus benefícios são muito mais amplos do que o meramente estético.
A prática regular de exercícios melhora a sensibilidade à insulina, fortalece musculatura e ossos, ativa a circulação sanguínea e favorece a manutenção da autonomia funcional à medida que envelhecemos.
Fisiologicamente, o movimento atua como um modulador metabólico eficaz, promovendo efeitos positivos em sistemas hormonais, inflamatórios e cardiovasculares.
Qual a quantidade ideal de exercício?
A boa notícia é que não é necessário se tornar um atleta para obter benefícios relevantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que adultos realizem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Isso pode ser alcançado com cerca de 30 minutos de exercícios em cinco dias da semana.
Caminhadas, pedaladas, dança, esportes de lazer ou qualquer atividade que aumente a frequência cardíaca podem proporcionar benefícios consideráveis. O que realmente importa é a regularidade, não a intensidade. Pequenas mudanças na rotina, como optar por escadas, caminhar mais e diminuir o tempo sentado, já representam melhorias significativas.
O ser humano foi feito para se movimentar
O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, celebrado nesta terça-feira (10), serve como um alerta de que o movimento é essencial não apenas como escolha de estilo de vida, mas como uma necessidade biológica.
A adoção de uma rotina regular de atividades físicas continua sendo uma das intervenções mais eficazes para manter a saúde metabólica, prevenir doenças crônicas e promover uma melhor qualidade de vida ao longo dos anos.
* Texto elaborado pelo médico do esporte, Rafael Rivas Pasco (CRM-SC 15495 I RQE 15008), membro da Brazil Health

